quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Depoimento #6 - Arnon Segal Hochman, Custodial no Magic Kingdom

APRESENTAÇÃO
Olá,
como você deve ter percebido, vou dividir meu depoimento em cinco seções, assim, caso você esteja querendo saber apenas sobre minha role ou somente sobre o processo seletivo, sinta-se à vontade para pular o resto do texto.
Para começar vou fazer uma breve apresentação.

Eu e André, o polêmico, vendo o Wishes
Meu nome é Arnon e o ICP não é o meu primeiro intercâmbio, de forma que minha ansiedade com relação ao programa era claramente menor que de quase qualquer outra pessoa que eu conheci, não considero que o ICP foram os melhores três meses da minha vida, não estou com uma DPD tão grande assim, etc.
Além disso sou uma pessoa muito pouco consumista, não gosto muito de festas, não bebo, não sou muito emotivo, em suma, sou muito diferente do perfil geral das pessoas do ICP. Se você tem um perfil parecido com o meu, espero que meu depoimento te ajude bastante, se você é totalmente diferente, tenha isso em mente ao ler minhas opiniões: Caso eu não tenha gostado de uma coisa não significa que você também não vai gostar e vice-versa.

PROCESSO SELETIVO
Este é um depoimento, então se você está procurando informações "técnicas" que te ajudem a passar pelo processo seletivo, é melhor procurar em algum outro lugar deste blog. Aqui falarei de como foi o meu processo, o que achei e como me senti.

Eu participei do processo 3 vezes até conseguir passar. Na primeira fiquei de STBy (stand by) na primeira etapa, na segunda fui reprovado direto na primeira etapa e na terceira passei direto pelas duas etapas. Minha conclusão é que as entrevistas são muito curtas e a chance de você ser mal interpretado por algo pequeno ou algum detalhe acabar fazendo a diferença entre aprovado ou reprovado são grandes. É lógico que fiquei triste ao ser reprovado, até porque eu tinha certeza de que seria um bom cast member, mas nas duas vezes levei muito bem a situação e fui procurar outras oportunidades (fiz um curso de inglês em Vancouver e no ano seguinte fui trabalhar nos EUA porém em outra empresa). Muita gente fica paranoica nos grupos do facebook e em alguns casos até brincadeiras (como dizer que o resultado tinha saído quando não tinha) acabaram em discussões muito mais sérias que o necessário. Meu conselho é que você relaxe e não leve isso tão a sério, não ache que o mundo acabou caso não passe, ou que você não é bom o suficiente para a Disney, ou que é um idiota (quer dizer, sei lá... talvez você seja um idiota mesmo, mas não especificamente porque foi reprovado e sim simplesmente porque você é um idiota). Não acredito em destino e em dizer que se aconteceu é porque era pra ser assim, mas mais importante do que achar motivos pra reprovação é decidir o que fazer daí em diante: Procurar novas oportunidades ou ficar fazendo draminha.
Fora isso, muita gente se apega muito fácil às pessoas durante o processo seletivo. Não estou dizendo que não conheci pessoas legais durante o ano, mas meu conselho quanto a isso é que não criem a ilusão de que essas pessoas são seus melhores amigos do mundo, até porque, você só os conhece via Facebook (e talvez algum encontro eventual no chat UOL). Vá aos meetings, conheça pessoas, entre em grupos com nomezinhos divertidos (minhocofilia, família rui...), não tem problema! Não se prive de conhecer pessoas novas, só lembre que algumas pessoas que com certeza você gosta não vão passar ou por outros motivos não vão poder ir, algumas pessoas vão e nem vão te ver durante o ICP (acontece), e ainda há casos de pessoas que pareciam legais e você descobre lá que não são: O que pode parecer em comentários de facebook um sarcasmo bem-humorado pode ser na verdade a mais pura e simples burrice (falo por exeperiência própria).
Não achem que estou sendo fatalista. Conheci também muita gente legal, fui em meetings fantásticos, e da mesma forma que muita gente que parecia legal não era, algumas pessoas que me pareciam incrivelmente chatas acabaram me surpreendendo e sendo pessoas maravilhosas e que farão falta.

Antes mesmo de iniciar esse processo todo, porém, vale se questionar se o ICP é pra você ou não. A STB vende o ICP como a coisa mais maravilhosa do mundo (o que pode até ser), e muitas pessoas acabam esquecendo ao longo do processo seletivo que como qualquer coisa na vida, existem pontos positivos e negativos. É importante ter em mente que é um programa de trabalho e intercâmbio cultural. Você vai viver lá, claro, e haverá tempo pra festas, diversão, passeios aos parques, jantares e tudo mais, mas repito, você está indo a trabalho. Se o seu objetivo é participar de várias festas só com brasileiros e ficar dando call in ou procurando maneiras de não fazer nada no trabalho e ficar de migué dando o jeitinho brasileiro, acho que vale mais a pena ficar no Brasil... Só que infelizmente tem muita gente mimada que tem que sair de baixo da asa dos pais pra conseguir ter um mínimo de liberdade e vai pro ICP ter isso... Nada contra essas pessoas, mas na minha opinião elas não têm o perfil do ICP.
Por outro lado, se você estiver pensando que é um contrato de trabalho com a Disney, que você terá horas chatas (como em qualquer trabalho, sempre), mas que terá coisas muito legais, se souber relevar o que não gosta, se adaptar aos problemas e aproveitar o que gosta no trabalho, qualquer role em qualquer lugar pode se transformar numa experiência maravilhosa. Ai também entra a ética de cada um: Minha role por exemplo permitia dar muito migué porque não fica o manager o tempo inteiro no seu pé. Só que eu acho isso errado. Se você está indo já pensando assim e se ao ler os depoimentos das pessoas que foram acha muito legal que você possa não trabalhar, eu não posso fazer nada além de desprezar essa atitude, mas a vida é sua. Vale lembrar a todos que optam pela complacência com essas atitudes que elas prejudicam a imagem e consequentemente todos os brasileiros que têm intenção de trabalhar na Disney (ou nos EUA e de forma mais geral a todos nós cidadãos de um mundo globalizado).

Meeting no aniversário do Luiz antes do ICP


TRABALHO
Eu fui custodial no Magic Kingdom. Por causa do André, meu coworker, que não curtiu muito o trabalho e acabou criando um tópico que disparou uma das maiores polêmicas da história do facebook, meu trabalho é provavelmente o mais polêmico do ICP 2012/13. Eu por outro lado gostava muito dele (do trabalho, não do André). Para os Custodials o MK é dividido em três partes: West (Frontierland, Adventureland e Liberty Square), East (Tomorrowland e Fantasyland) e South (Main Street U.S.A., Hub do castelo e pontes, parte de fora do parque). Eu trabalhava no South, o que é de acordo com a maioria o trabalho mais pesado. O trabalho dos custodials se divide em duas funções muito importantes: Manter o parque limpo e serviço aos guests. Essas funções coexistem ao longo do seu dia, mas dependendo do seu assignment você poderá ter mais ou menos responsabilidades em relação a elas.
Meus shifts eram quase sempre fechando o parque, o que significava ficar lá mais ou menos uma hora e meia a mais do que o horário marcado para o parque fechar. Isso acontece porque quando o parque "fecha", na verdade o que fecham são as atrações. As lojas e lugares para comer (principalmente do South, que é o último lugar que os guests passam para sair do parque) continuam abertas por mais uma hora mais ou menos e depois disso ainda tinhamos mais meia hora para acabar de fechar nossas áreas e limpar as últimas coisas que os últimos guests deixaram. Muitas vezes acabavamos sendo liberados um pouco antes, mas de qualquer forma, o trabalho no fim da noite era sempre muito tranquilo, principalmente depois do Wishes (show de fogos) e da última parada que muitos guests iam embora. A desvantagem de trabalhar de noite é que acontece menos interação com os guests (acredito eu que porque eles já decidiram o que vão fazer, já conhecem mais ou menos o parque, então se perdem menos, e já estão mais cansados), além disso, para quem gosta de festas não era muito bom. Eu quase sempre trabalhava até de madrugada (saindo entre 12h e 2h) e algumas vezes cheguei a sair depois das 4h da manhã (no fim do ano). Do meio para o final de janeiro comecei a ter quase todos os shifts acabando às 22h ou 23h, o que era ótimo.

Eu não tinha nenhum problema em limpar coisas nojentas, até porque, depois de um tempo você realmente se acostuma e passa a tratar elas com mais naturalidade (menos quando você está limpando e alguma coisa respinga em algum lugar que não está tapado por luvas ou pela costume). Mas antes de escolher essa role vale a pena pensar se está disposto a trabalhar com isso. Em alguns casos algumas pessoas também podem ser desrespeitosas com você por você ser o "faxineiro", mas isso nunca aconteceu comigo, muito pelo contrário: Muitas vezes as pessoas me agradeciam, reclamavam que os outros guests eram muito porcos e que as pessoas não tinham mais educação e me tratavam muito bem.
Uma das grandes vantagens de ser custodial é que você não tem o manager no seu pé o tempo inteiro e tem muito tempo livre. Eu usava esse tempo para andar pelo parque, entrar nas lojas, conversar com guests, brincar com as crianças, fazer water art, etc. É muito bom ter um pouco de flexibilidade e saber que se você demorar cinco minutos a mais para comer isso não vai ser o fim do mundo, que se você estiver exausto você pode descansar uns minutinhos e ir ao banheiro sem precisar pedir para ninguém. Mas eu muitas vezes prefira estar on stage e até passei alguns breaks por exemplo vendo os shows e fazendo water art ao invés de ir descansar. Uma coisa ruim é que é muito difícil ganhar um fanatic porque quase nunca um manager estará perto de você para reconhecer um bom trabalho.
Muitos dos meus coworkers eram completamente preguiçosos e sempre que eu pegava alguma zona que um deles deveria estar cuidando tinha que trabalhar em dobro, alguns deles falavam inglês muito mal (principalmente no rádio que tinhamos que usar frequentemente para nos comunicar), e alguns eram bem grossos. Como você não trabalha tanto com outras pessoas, é fácil de relevar isso. É muito fácil por outro lado se cercar de pessoas legais. Os meus coworkers do Brasil eram todos fantásticos e nós muitas vezes nos ajudávamos (por exemplo, quando o parque estava vazio fechávamos juntos a zona de um e depois do outro), os CP's (college programs dos EUA mesmo) eram muito legais também e me chamaram pra sair algumas vezes depois do trabalho (fomos umas três vezes a uma lanchonete chamada Steak'n'Shake) e conversávamos muito nos breaks e tal, eu muitas vezes encontrava outras pessoas de outras roles que não podiam sair de sua posição e normalmente ficavam bem felizes quando eu ia visitá-las (sempre visitava a Bia que era full no Plaza quando ela estava ali na porta sem fazer nada, a Mayumi e o Winicius quando estavam segurando a plaquinha de devolução de carrinhos, uma infinidade de PAC's, greeters e theaters, de vez em quando mais rápido um pouco trocava uma ideia com algum merchan da Emporium, algum quick, etc.).

Existiam dias de muita interação com os guests e outros nem tanto, mas quase sempre no tempo livre dava para andar e fazer alguma coisa. Muitas vezes eu ajudava os guests que estavam olhando com cara de perdidos pros mapas, algumas dessas vezes eles inclusive pediam dicas do que fazer porque tinham acabado de chegar no parque, muitas vezes ajudei guests brasileiros, muitas vezes tirava fotos pros guests (pra não ter que ficar alguém do grupo sem aparecer), no final principalmente desenhava bastante no chão com água (water art), apesar de não ter sido treinado pra isso e ter pedido muito o treinamento pros meus managers (eu sabia fazer porque peguei o material do treinamento com um amigo meu que fez ano passado), dançava junto com a parada da tarde (Move it, Shake it, Celebrate it), quando algum guest estava acenando para alguém do grupo achá-lo eu dizia que ia ajudar e ficava acenando junto, algumas vezes passei por alguma criança brincando com uma pistola de brinquedo e fingi ter sido atingido (o que era bem divertido), etc. Muitas oportunidades de fazer alguma coisa diferente vão surgindo e só depende de você aproveitá-las ou não. Por exemplo, no final do programa, quando todos os grupos de brasileiros estavam chegando, uma das coisas que eu mais gostava de fazer era o pre-parade, em que você passa com um carrinho de lixo pegando o lixo que as pessoas que tão sentadas esperando a parada têm. Eu passava fazendo piadas com todo mundo, perguntando se os pais queriam jogar os filhos fora (umas duas crianças aceitaram e eu tive que dizer que o carrinho estava cheio), cantando e dançando com os grupos brasileiros, etc. Umas duas ou três vezes depois de brincar com algum guest ou fazer alguma dessas coisas que falei um guest me pediu pra tirar uma foto junto comigo.

No meu schedule já aparecia o que eu ia fazer no dia: Banheiros, rua ou parada. Geralmente o shift era só de rua ou rua junto com parada. Uma ou duas vezes por semana eu pegava um shift de banheiros (geralmente o dia inteiro) e umas duas ou três vezes ao longo do programa inteiro peguei banheiro com parada ou banheiro com rua. Também existe a possibilidade de você acabar sendo mudado na hora por um dos managers ou coordinators. Eu na verdade sempre esquecia o que estava no meu schedule e acabava descobrindo na hora. Fiquei surpreso quando recebi o assignment no último mês escrito "enjoy your training": Tinha um treinamento de basics marcado e nem sabia. Foi ótimo, pena que só aconteceu uma vez (acredito que também seja antes do shift o curso de Water Art, mas não aconteceu enquanto eu estava lá).

Os cinco custodials do MK South


RESTROOMS
Os banheiros do South para homens são divididos em dois grupos de 3 e 4 banheiros (ou quando o parque está cheio 3, 2 e 2). Basicamente o que você tem que fazer é entrar no banheiro, verificar se o chão está limpo (normalmente varrer papel que as pessoas erraram ao tentar jogar na lixeira), se os mictórios e os vasos estão limpos (geralmente dar descarga e às vezes passar um pano com desinfetante), repor o papel higiênico e as toalhas de papel, repor o sabonete (muito raro), repor aqueles papéis de cobrir assento (muito mais raro ainda), jogar Citrus Ginger (que é tipo um Glade toque de frescor pra que as crianças achem cagar na Disney tão emocionante quanto fazer cocô na casa do Pedrinho), empurrar os papéis do lixo com a vassoura (porque fazem muito volume) e às vezes tirar o lixo e reensacar a lixeira, e de vez em quando, quando estiver entediado, limpar os espelhos, os dispensers e o trocador de bebês e secar a pia.
Na prática o que eu fazia era dar uma geral no banheiro da primeira vez que entrava (o que muitas vezes demorava, principalmente porque eu esperava os guests sairem das cabines para verificar cada uma delas nessa primeira inspeção). Depois disso, os banheiros geralmente permaneciam relativamente limpos ao longo do dia, fazendo com que eu entrasse neles por uns 5 minutos, ajeitasse uma coisinha ou duas e pudesse ir para o próximo (muitas e muitas vezes entrava no banheiro e ele estava impecável, exatamente como o havia deixado na vez anterior).
Essa é a parte em que muita gente aproveitava para ir para qualquer lugar do backstage e ficar descansando. Eu, como já disse, acho que ser pago para ficar o dia inteiro sem fazer nada é imoral, sobretudo numa empresa (e numa role) que te abre um espaço gigantesco para ser criativo e interagir com os guests de forma livre.
Os breaks quando eu pegava shift de banheiros eram dados por mim no momento em que eu quisesse (só precisava deixar meus banheiros em ordem, ir até o computador, o CDS, e marcar que estava indo ter meu break naquele momento).

STREETS
Existem duas possibilidades caso pegasse streets. A primeira era pegar uma zona e ficar com ela durante bastante tempo (muitas vezes o dia inteiro ou mudar um ou duas vezes ao longo do dia) e a outra era ser breaker, ou seja, dar os breaks das pessoas (de 15 ou 45 minutos). Eu gostava de ser breaker porque o dia passava muito rápido. Basicamente você cobre a posição de alguém por alguns minutos (pergunta se a pessoa quer que você faça alguma coisa específica ou só varra e mantenha a área limpa), e muda de lugar para dar break para outra pessoa, o que faz o dia muito dinâmico. Quando pegava alguma zona, dependia muito de que zona, em que horário e com que humor eu estava. Tinha dias que achava ótimo estar na parte de fora do parque porque era vazio e eu não precisava fazer muita coisa, podia deixar tudo arrumado e sair da minha zona para dar uma volta na Main Street ajudando os guests, etc. Tinha dias que eu preferia estar em algum lugar com mais gente para conversar mais e fazer mais coisa para o dia passar mais rápido.
Basicamente o que você precisa fazer em cada zona é manter o chão limpo (na verdade não é tão comum ter que varrer muita coisa), trocar as lixeiras e manter elas limpas e eventualmente limpar alguma mesa ou alguma coisa diferente (como por exemplo um lindo vômito que algum guest te deixe de presente). Algumas zonas são exceção, como por exemplo no Casey's (quick service onde vende cachorros-quentes) em que há duas pessoas, uma só tirando o lixo (que enche muuuito rápido) e outra só limpando as mesas e deixando elas arrumadinhas, o chão, etc. além de se ocupar de abrir e fechar os guarda-sóis quando necessário, mas no geral é isso.

PARADE
Ter parada no seu shift era provavelmente a maior alegria de todo mundo, ou, pelo menos, de todos os brasileiros que trabalhavam comigo. Quando isso acontecia, o que fazíamos era basicamente esperar um bom tempo em algum lugar (dependia de qual parada ou show, mas geralmente no backstage e/ou na ponte da adventureland) conversando e às vezes preparando alguma coisa (aspiradores, tank, etc.), e depois íamos seguindo a parada (ou andando por uma rota pré-definida depois do Wishes e do Celebrate de Magic, o show de projeções no castelo) limpando o que as pessoas que ficaram sentadas lá por horas esperando deixaram no chão. O tempo passava muito rápido, tinha sempre bastante tempo para conversar, e o trabalho era bem simples. Além disso, era quase sempre possível ver a parada e os shows, o que era interessante.

TASKS
Os nossos horários de chegada e os horários de saída das pessoas que estavam trabalhando de manhã e no começo da tarde não batiam exatamente (quase sempre tem uma folga entre eles). E, fora isso, às vezes, por outros motivos, você não tem o que fazer. Nesse caso, existe uma possibilidade que o computador te dê uma task. Uma task é uma tarefa simples que geralmente dura 15 minutos (algumas 20 e algumas 30, nunca vi diferente disso). Alguns exemplos são trocar as lixeiras do teatro, ir tirar uma foto para um guest, varrer as entradas dos banheiros, andar pelo parque procurando coisas derramadas, etc. Geralmente o que as pessoas faziam era sentar e esperar o tempo de pegar outro assignment (que podia ser outra task ou uma zona, dar um break, um banheiro, etc.). Eu às vezes fazia a tarefa ou, quando ela era muito idiota, ia anda pelo parque, varrer o que encontrasse, ajudar ou brincar com os guests e voltava. Umas três vezes eu peguei tasks por mais de duas horas em sequência. Depois descobri que isso acontece quando eles estão com mais gente do que precisa, por exemplo com quatro pessoas para preencher as três posições de banheiros. Uma das vezes que isso aconteceu comigo, o meu coordinator me pediu para eu treinar um funcionário novo em banheiros.

VIVENDO NO ICP
A vida no ICP por si só é muito legal caso você não queira ficar em casa o dia inteiro vendo séries no computador e gritando com sua mãe pelo Skype (acontece). Você sempre encontra pessoas diferentes em todos os lugares (muitas vezes eu jogava no facebook que estava indo para algum parque e aparecia alguém dizendo que ia também, algumas vezes pessoas conhecidas, outras pessoas que viriam a se tornar conhecidas depois que passassemos o dia juntos).
Na minha casa especificamente, cozinhavamos sempre (não queria comer só fast food e pizza todos os dias). É claro que sempre tem algum probleminha ou outro, alguém não ajuda com a limpeza, alguém deixa uma frigideira suja por 10 dias seguidos em cima do fogão, mas foi bem tranquilo até. Infelizmente, porém, não saí da casa com uma relação ótima com meus roomates como no último intercâmbio. Durante quase metade do programa dividimos as contas das compras de comida entre toda a casa, o que foi ótimo porque isso dá muito menos trabalho (dividir prateleiras, etiquetar, ter que ir fazer suas compras sempre ao invés de revezar entre as pessoas da casa) e muito menos aborrecimento (gente comendo a comida dos outros, etc.). Depois começou a picuinha de que alguém não queria pagar pelo sucrilhos que o outro comprou e ele não comia, o outro falou que ele também não comia a não sei mais o que, e tudo ruiu porque as pessoas fazem mais questão de garantir que não vão pagar alguns dólares a mais (ou a menos) pelo que não usam do que viver uma vida mais comunitária. Uma pena. De qualquer forma, foi bom enquanto durou e restaram frutos desse primeiro mês comunitário, já que compramos juntos uma assadeira e uma frigideira (melhores do que as que já vem na casa), espátulas, temperos, etc. e por isso muitas vezes rolou jantar ou almoço com uma galera lá em casa, o que foi ótimo.
Fora trabalhar, o que já era bem interessante, fui muitas vezes a todos os parques, incluindo algumas aos aquáticos, fui em todos os brinquedos do Magic Kingdom pelo menos uma vez, fui na Universal também umas 4 vezes, e é claro, mesmo não gostando muito fui em algumas festas (principalmente a Bdubs). Os eventos do housing eram quase sempre muito legais, principalmente o Winter Formal. Reuniões nas casas da galera também aconteciam quase todos os dias livres e era muito raro você realmente não ter o que fazer.
Participei do VoluntEARs (trabalho voluntário da Disney) uma vez e infelizmente não corri atrás para ir mais vezes. Foi muito legal. No meu caso, visitei creches para contar sobre as festas de fim de ano no Brasil e com a minha família. Achei bem interessante poder ver as crianças percebendo as diferentes culturas (participei com mais dois alemães e uma japonesa), percebendo que não se fala inglês no mundo inteiro e que em outros lugares existem outros costumes e até aprendendo umas palavras em outras línguas.
Eu gostei bastante também do treinamento de forma geral, tirando os e-learnings.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caso você resolva ir para o ICP esteja preparado para o melhor e para o pior, que é geralmente quando você cresce mais. Existem muitos e muitos intercâmbios diferentes, procure ver se não existe nenhum outro mais adequado ao que você está procurando.
Desejo o melhor para todos e caso haja alguma dúvida podem entrar em contato.

Beijíssimos
Arnon.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Depoimento #5 - Rafael Aquino, Operation & Attractions no The Seas WithNemo and Friend e no Turtle Talk With Crush no EPCOT

(Neto aqui: Se prepara gente, eu não costumo dar introdução antes mas esse depoimento aqui é pra chorar...)

Just keep swimming, dudes!

Bom... Nem comecei a escrever e já me escorrem lágrimas do rosto...

O que falar dos meus 3 meses e pouco? 3 meses? O que falar do meu ICP? O que falar desse um ano? Quando quase tudo estava dando errado.... quando fiz amizades pra toda vida... O que falar da melhor fase da minha vida e do que passou? Dificilmente vou viver um experiência parecida.

Meu nome é Rafael Aquino, 23 anos, como o Hugo já havia falado, fui Attractions & Operations no melhor parque e na melhor attraction que existe... (para o meu perfil)... The Seas With Nemo and Friends e Turtle Talk With Crush, melhor show do Epcot, número 2 da Disney.

Bom.. Já foi explicado sobre o trabalho, positions e tudo... Então o que vou falar aqui é sobre o programa... O meu programa...


Se tem uma coisa que posso falar com certeza é: CURTA o máximo que puder!!! Aproveite cada segundo, não perca nenhuma oportunidade. Quando digo tudo.. É TUDO! Até o processo seletivo! Os grupos, skypes, conhecer gente nova, gente de todo o brasil... até finalmente desembarcar lá... Aproveite o programa.... principalmente na sua primeira semana, aquela que você não trabalha, ainda está no gás e com a ID na mão.... Se você acordar desanimado, lembra que aquilo ali está passando, acaba rápido.. Lembra que você cria toda aquela mágica, lembra que você faz parte disso... E que milhares de pessoas todos os dias ficam mais felizes graças ao que você está fazendo.

Passando a parte da curtição e entrando no trabalho...

Ao contrário do que me falaram.. Achei os treinamentos bem maçantes, o Traditions é MUITO entediante.. Até o meio... Depois chegam as surpresas e... bom, são surpresas, não é? Valem a pena as quase sonecas no início!

O treinamento do Epcot (Discovery Day) já é mais dinâmico, e MUITO interessante, principalmente aprender tudo sobre o parque e seus 11.324 triângulos na bola... (Sim, vão te perguntar muito.. E você saberá a resposta).

Foi lá que soube a minha work location definitiva... Confesso que na hora que me chamaram fiquei meio desanimado, mas durou 15 minutos até conhecer meu trainer, um grande amigo que fiz.... Até descobrir que passaria 3 meses ao lado de golfinhos maravilhosos, até descobrir que teria 7 colegas brasileiros.. Um melhor que o outro Não poderia escolher melhor... Pessoas maravilhosas que vão ser os grandes responsáveis por te puxar lá de baixo quando você tiver naqueles piores dias...

E trabalhar no Epcot? Nossa.. Por onde começo? Tive a oportunidade de conhecer pessoas dos 4 cantos do planeta, entrar em um ônibus onde mais de 15 nacionalidades se misturavam em plena harmonia, assistir Iluminations ao sair para ir pra casa, ver o MAIOR ano novo da Disney.. Aquela maluquice com 180 mil pessoas, 5 horas de espera em brinquedos, e mesmo assim a organização ser mantida... Trabalhar no epcot é ver os guests "oldschool" que frequentam os parques semanalmente e cumprimentá-los pelo nome.. Trabalhar no EPCOT é... bom.. É isso tudo e mais um pouco....

Morar no Vista Way? Bom... É estar perto de tudo e de todos... Próximo das baladas, do Wendy's das house parties, do Walgreens, dos cookies do housing... Dos amigos! Ah.. Dos amigos! Nossa.. Como sinto falta dos meus roomies... Entre as pessoas mais maravilhosas que tive a oportunidade de conhecer em minha vida.. Vou guardar 4 nomes para o resto de minha vida... João Zarur, Henrique Ferreira, Luca Di Pace e Vitor Renosto.. Olha... Posso não ter curtido tudo que podia ao lado deles.. (Não fui dos mais baladeiros.. e fui namorando) Mas os momentos que estive com eles... Não consigo pensar em NADA ruim... Morar perto de seus amigos e reconhecer que o Diogo está na porta só pela forma que ele a bateu...

Acho que está na hora de concluir... Não gosto de textos gigantes... E este já passou do que escrevo normalmente...

Muitos falam em break the magic... Mas eu penso o contrário.. Acho que a mágica existe! Tanto existe, que é capaz de com uma simples porta que separa o off do onstage, transforma homens em grandes aventureiros, mulheres em princesas... Com uma simples cortina de off/onstage, transforma pessoas baladeiras e cachaceiras em grandes e maravilhosas peças de um perfeito espetáculo que entra ano e sai ano.. Todos os dias se apresenta sem apresentar grandes falhas... Tanto a mágica existe.. Que desde 1955 Disneyland existe, e junto com o Walt Disney World Resort, Disney Paris, Tóquio e etc... fazendo milhões de pessoas mais felizes.




Você pode viajar o mundo inteiro, conhecer lugares mais lindos do planeta.. Mas o sorriso que a Disney te proporciona é ÚNICO e eu posso dizer que fiz parte disso... Posso dizer que Crush é um grande amigo meu... Confirmo que ele tem 150 anos e continua jovem! A magica... Está lá... É o seu ponto de vista que vai permitir ou não que você a veja..


Rafael Aquino.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Depoimento #4 - Diogo Navarro, Quick Service Food & Beverages no Magic Kingdom

Bom, olá a todos,
Primeiramente me chamo Diogo Navarro, Di ou Biscate pros íntimos (rs)
Fiz o icp 2012/2013 e aviso antes de tudo para aqueles q querem fazer que o trabalho é pesado e vc faz muitas coisas q nem sonharia em fazer no Brasil, como tirar lixo ... enfim vamos lá
Eu fui quick service no Magic Kingdom, mas especificamente no Pinocchio´s Village Haus na Fantasyland. Sim fui rico e sim trabalhei MUITO
O treinamento de quick nos primeiros dias são bem leves na Disney University com aulas e depois começa o treinamento na sua location que dura uma semana e durante essa semana vc prova todo o cardápio do restaurante *_*
No meu restaurante tinhamos as posições de: greeter ( 3 posições, uma na frente do restaurante, uma na primeira porta entregando menus e outra perto dos caixas organizando as filas), food filler: ficar no balcão conferindo as notas e entregando os pedidos, drink filler: fazendo as bebidas de cada pedido ( bem estilo mcdonald), busing: limpando as mesas, varrendo e trocando as lixeiras quando estavam cheias ( a posição mais odiada por todos ) e condiment bar: sem duvida o mais estressante, nessa posição temos q repor todos os codimentos, molhos, talheres, guardanapos e canudos q acabam sempre ao mesmo tempo
O dia era sempre muito agitado, mas o tempo das 12, 13 ou até 16 horas de trabalho passavam voando e com ajuda dos coworkers era divertido demais, óbvio q levava xingamento de guest, lidava com pessoas irritadas e com fome q muitas vezes ñ entendiam q não pode entrar com stroller no restaurante e te atropelavam mas no fim era divertido demais, mesmo sendo estendido quase todos os dias kkkk
Mas tudo isso valia a pena quando vc via aquelas crianças lindas se divertindo e vindo brincar com vc, ou vendo os olhinhos delas brilhando por q vc ta dando parabéns pra ela e chamando ela de Princess .
O trabalho é muito cansativo, mas foi a coisa mais mágica que já me aconteceu e sem dúvida conheci meus melhores amigos lá, e chorar todas as vezes q eu vejo as fotos e sentir um aperto no coração comprova tudo isso q eu falei ...

Aos que vão esse ano: muita garra, muitas festas , façam muitos amigos, acordem cedo no day off pra ir pro parque e lembrem-se sempre quando estiverem cansados ou desanimados que vcs fazem parte do mundo Disney, que vcs fazem a magica acontecer para milhares de pessoas e que isso não tem preço, ver o sorriso no rostinho de cada criança faz vc se sentir o máximo, receber um muito obrigado te deixa radiante e t a certeza que vc está trabalhando na Disney, o lugar onde os sonhos se tornam realidade faz com que vc queira sonhar cada vez mais.

O ICP foi o sonho mais lindo que eu vivi e que levarei comigo pra sempre assim como os amigos q conheci...

E galera, no processo seletivo não desanimem se ficarem em standby pq eu fiquei, acreditem sempre nos seus sonhos ... uma das coisas que a Disney mais me ensinou foi que tudo começa com um simples sonho q se for sonhado de verdade e com fé se torna a realidade mais linda de todas que poderia ficar parada no tempo pra nunca acabar ...

Lágrimas correm do meu rosto ao lembrar de tudo e o sorriso é inevitável assim como duas palavras que eu tenho a dizer sobre o ICP: MUITO OBRIGADO

Diogo Navarro Guedes.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Depoimento #3 - Anna Machado, Quick Service Food & Beverages no Magic Kingdom

Oi, meu nome é Anna, tenho 19 anos e acabei de voltar do meu primeiro ICP. Sem dúvidas eu tentarei de novo e com o meu wayoflife eu vou tentar explicar o motivo. Eu fui Quick Service no CosmicRay’s no Magic Kingdom.

Eu amei trabalhar no meu parque favorito, eu amei as pessoas que eu conheci e eu amei cada segundo do meu ICP. Falando assim parece que é tudo lindo, maravilhoso e eu não me arrependo de nada, não é? Bom, nem tudo eram flores. Ser quick é um trabalho pesado, não da pra mentir... e trabalhar no Cosmic? Muitos chamam de CosmicHell e isso porque ele é apenas o restaurante mais cheio da Disney e o segundo maior do mundo! Sou grata a ele, pois agora posso dizer que se sobrevivi ao Cosmic, posso trabalhar em qualquer lugar.

Não foi fácil, no começo quando vi que seria quick fiquei um pouco desapontada, devo admitir porque eu queria trabalhar com entertainment, sempre quis. Mas não era isso que ia me fazer desistir de realizar meu sonho de ser uma castmember. Quando descobri minha WL eu queria chorar HAHA juro, só por saber exatamente o que o Cosmic é e significa, MAS porque eu ficaria triste? Eu tinha pedido Magic Kingdom, eu queria mais que tudo trabalhar no meu parque favorito e ainda trabalharia no restaurante que tem uma vista maravilhosa pro castelo. Fui e não me arrependo, conheci pessoas maravilhosas que vou levar no coração pra vida toda e devo dizer que é por elas que eu não conseguia ficar longe daquele lugar! Mas vamos falar da role em si antes de vagar para as histórias...

O Cosmic é um restaurante diferente da maioria por estar sempre cheio, MUITO cheio. Achava muito legal contar pras pessoas que eu trabalhava e a reação delas ser sempre a mesma “Outch!I’msosorry for you’’. Bom, às vezes eu estava sorry por mim também. Eu ficava no counter (o que é melhor do que ficar na cozinha, minha opinião). Meu trabalho variava por que sempre tinha uma posição diferente, que ia desde fazer as bebidas a limpar as bandejas (que era a que eu mais odiava!), mas o mais comum no Cosmic é o filler, onde você confere o recibo do guest com a bandeja que vem da cozinha e enquanto isso conversa e o distrai para ele não ficar irritado.O Cosmic sugava minhas energias e tempo, então nunca procurei hora extra em lugar nenhum, mas fui deployed bastante. Trabalhei no TomorrowlandTerrace durante o Natal e Ano Novo (que abre apenas nessa época ou quando o parque está MUITO cheio, como o verão) e nos Stands East que é basicamente TODA a tomorrowland e fantasyland.

O Terrace era basicamente a mesma coisa que o Cosmic, só que mais tranquilo (mesmo no Natal, tenham uma noção de como o Cosmic era cheio). Os Stands eram diferentes do que eu estava acostumada e eu tive que aprender sozinha, sem treinamento, buscando entender olhando os outros e perguntando sem vergonha. Aprendi a fazer sorvete (tentei, né), smoothie, cachorro quente e lá eu fazia algo que eu não fazia no Cosmic: tirar lixo e limpar mesa. Os stands east é um tipo maior de ODF e por eu não ter treinamento na registradora, isso me limitava muito por lá. Por exemplo, eu sempre quis MK, sempre quis Fantasyland, que sonho não seria trabalhar no Be OurGuest ou no Gaston’s? Bom, uma vez me pediram para ir pro Gaston’s. E eu AMAVA aquele lugar, claro que estava animada! Mas eu não podia ficar na registradora e a manager que estava por lá não me queria na cozinha (fazendo o trabalho mais fácil! Colocar chocolate no croissant ou açúcar no cinnamonroll) porque não gostava de mim e ela me pôs para tirar lixo o dia inteiro. Eu já tinha feito no Terrace e odiava, já o lixo era pesado, nojento e enchia muito rápido, mas no Gaston’s era tranquilo porque as pessoas não estavam indo lá pra almoçar e sim, comer uma besteirinha então eu quase não tirava lixo, só limpava as mesas e conversava com guest, me fazia de greeter mesmo essa não sendo minha posição (Por sinal, era minha posição favorita de todas, falar oi pras pessoas e tirar dúvidas!). Trabalhar na New Fantasyland foi um sonho realizado, apesar de estar retirando lixo, tiveram horas que eu quis chorar (até porque aquele foi um dia péssimo pra mim), mas os guests fizeram tudo valer a pena. Mas eu cheguei a conclusão: não sou fresca, não tenho problemas com lixo, mas custodiallife não é pra mim. E eu não saberia disso se eu não tivesse experimentado, e nem foi uma experiência ruim, eu gostei muito, só não queria de novo.

Coisas boas e ruins aconteciam o tempo todo. Eu devo dizer, eu nunca levei esporro de manager, mas já briguei com uma manager e uma coordinator não gostava de mime isso me tirava do sério. Porém, eu me sentia TÃO BEM, tão completa quando um guest me pedia um abraço, me agradecia, ou só falava “muito obrigado por estar trabalhando no Natal’’. Por favor, era um prazer! Eu amo o Natal, é uma época muito importante pra mim, trabalhei feito uma escrava nessa época, tinham dias em que eu abria e fechava o parque, mas eu fiz o meu Natal com os guests, eu ficava muito feliz de fazer eles felizes e eu acho que isso era essencial para os castmembers. Eu já xinguei muito guest, já reclamei em português, tive raiva de guest brasileiro e de muitos mal educados. Mas nunca faltei com respeito e tive a sorte de nenhum faltar comigo. Já tive problemas de guests irritados, de pedir pra chamar o manager, mas eu não era esse tipo de guest que eu queria guardar na minha memória, então eu tentava ajudar sempre que podia.

Meus co-workers eram fantásticos (Saudades, Família Tufão, Família Cosmic!), em todos os lugares em que trabalhei. Viver na Disney era maravilhoso, meus vizinhos, meus amigos, sinto falta de todos, o ICP me fez mudar, crescer e ver o mundo com outros olhos. Eu achei uma experiência fantástica, eu pretendo voltar e eu sei que eu me diverti porque eu fiz ser fantástico assim, eu me entreguei de corpo e alma ao meu trabalho e se alguém quiser fazer o ICP tem que manter isso em mente: é um trabalho. Um trabalho em que você vai conhecer gente incrível, vai conversar com guests de todo canto do mundo, vai se divertir horrores trabalhando ou não, mas ainda terá responsabilidades de acordar cedo e sair tarde, ficar em pé por horas, sorrir a cada instante em que estiver onstage, tratar cada pessoa de uma maneira especial porque eles são especiais, eles são seus convidados ali, não importa com que humor você acordou, se você saiu na noite anterior e ta virado ou se acordou indisposto. Entrou no trabalho deixa seu o mundo do lado de fora e entra no seu personagem. Bom, espero que quem conseguiu chegar até aqui tenha gostado e aproveitado um pouco das minhas palavras, estou disponível para dúvidas ou dicas, só queria dizer que o ICP mudou minha vida e me trouxe felicidades que eu não sabia que teria. Eu agradeço muito à Disney pela oportunidade e desejo muita sorte a todos os new comers!

Anna Machado.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Depoimento #2 - Kadu Buess, Operation & Attractions no Magic Kingdom (PAC)

Pois então, me chamo Carlos mas todo mundo me conhece como Kadu. Participei do ICP 2012/2013, e trabalhei no melhor lugar do mundo, Magic Kingdom! Fui Main Street Operations (jajá explico melhor o trabalho), e se você que está lendo isso fez o ICP, então você nada vai ser novidade pra você, agora se você pretende fazer o programa, provavelmente você lerá muita coisa interessante (no spoilersor break themagic too soon, prometo).

Bom, antes de tudo, só um comentário para você que pretende fazer o programa: caso a sua ideia é ir para Disney se divertir, usar do programa como uma “ajuda” para entrar nos parques de graça, desculpa mas esse programa não é para você, o ICP é um programa de trabalho, TRA BA LHO, se você quer passar 3 meses visitando os parques da Disney, viaje como turista e compre um seasonal pass.

Vamos ao que interessa: o que eu fazia!?!? Como já disse, trabalhava no Magic Kingdom, como Main Street Operations. Tal worklocationera dividida (ou englobava wtv) em várias “sub-roles”: Park Greeter (trabalha na entrada do parque, junto com as catracas), Theater(trabalha no Theaterna Town Square, local onde se tem o MeetandGreetdo Mickey e de 3 princesas, além de trabalhar no Sorcererofthe Magic Kingdom, um “game” estilo o que tem no World Showcase do EPCOT, só que no Magic, com cartas colecionáveis, muito legal (e viciante)) e ParadeAudianceControl, ou simplesmente PAC (bestjobever! Você trabalha com as paradas do MK, com o Wishes, com os shows que acontecem na Main Street). Você só é treinado para duas dessas 3 roles acima, sempre Park Greeter + uma das outras, eu por exemplo fui treinado para PAC.

O trabalho de Park Greeter era ser um dos primeiros contatos dos Guestsdentro do parque, e as funções iam de ficar na catraca lendo os tickets até a varrer a entrada(sim, tarefa de custodial, mas todos somos custodials), receber os guests na frente das catracas, ajudar com algum problema, e por ai vai. Era muito legal ser a pessoa que abre a passagem para os Guestsdo mundo real para o mundo da fantasia, ver o rosto das crianças olhando para tudo quanto era canto, maravilhadas com Magic Kingdom.

Mas para mim, o melhor trabalho de todos, é o de PAC, você trabalha com todas as paradas que acontecem no Magic Kingdom: a Move it, Shake it, Celebrate it!, Celebrate a Dream Come TrueParade, ChristimasParade, Disney’sEletricalParade, além também de trabalhar com o show Wishes, o show de fogos do Magic Kingdom. O trabalho em si não é muito complicado, controlar os guestspara que não façam coisas perigosas durante os shows, garantindo que sempre haja uma passagem para circulação das pessoas(pq claro, não é todo o parque que para pra ver a parada ou o Wishes), montar a rota da parada, informar os guests aonde podem e não ficar. Além disso tudo, um trabalho muito importante são as PACtivities, ou atividades de PAC, que eram brincadeiras que fazíamos no meio da rua para entreter os guests.

Como eu disse, o trabalho não é difícil, mas se torna bastante complicado, principalmente na época do natal e do ano novo, você tem que aturar muito guestte xingando, tentando fazer coisa errada, cuspindo em você (unfortunatelytruestory), guestscriando briga, essas e muitas outras coisas que pode fazer o trabalho ser um pouco estressante. Mas quer saber, mesmo eu levando cuspida, sendo xingado em mais de 50 línguas, saindo machucado as vezes, eu amava e ainda amo minha Main Street Ops, principalmente PAC, é uma role linda, onde você pode fazer inúmeros magicalmoments, como por exemplo fazer uma aniversariante andar pela Main Street e ser aplaudida por todos só por ser seu aniversário, ou ajudar alguém a achar um lugar por que está perdida no mapa, transformar a Main Street em um “ring” onde cada lado da rua competia para ver qual era o mais animado(ou barulhento), dançar com a musica da parada no meio da Main Street e contagiar os guestse em um passe de mágicatervariaspessoasdançando com você, enfim, são inúmeras coisas que faz de PAC, para mim, a melhor role para se trabalhar de todos os tempos.


Não vou falar que meu trabalho é o melhor de todos etcetc, eu tenho uma teoria que é verdade, é você quem faz a role, você pode cair numa role que não batia muito com ela, mas no final do programa pode sair amando ela mais que tudo, como também pode ter caído na sua 1st choice, mas ai foi ver e detestou. O ICP é uma oportunidade única, trabalhar na maior empresa de entretenimento do Mundo, conhecer gente do mundo inteiro, fazer amizades para a vida toda, e, meu concelho é, quer ter essa oportunidade única? Então vá para o programa na role que te colocarem, pois eu te garanto que você nao vai se arrepender.

All it takes is trust, faith and a little of pixie dust, and I assure you that all your wishes WILL COME TRUE!

Carlos Eduardo Buess, aka Kadu.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Depoimento #1 - Hugo Pedrosa, Operation & Attractions no EPCOT

Meu nome é Hugo e participei do International College Program do ano de 2012/2013.

Mas antes de toda a introdução sobre o que eu faço e sobre como foi tudo tenho que dizer algumas coisas. Se você é do tipo de pessoa que não está disposto a trabalhar 12 horas por dia de pé em um sol escaldante ou no frio das madrugadas, se você não está disposto a fazer trabalho em que vai perceber que todo o “estudo” e importância que você tem sejam inferiores ao que você é, se você não sabe respeitar hierarquias, respeitar horários, respeitar pessoas que irão gritar na sua cara porque elas querem que o problema seja resolvido na hora, pode parar de ler agora esse texto, o ICP não é pra você.

Primeiro. Disney pode ser toda aquela bagaça de sonhos e o caramba a 4. Tudo bem, quando você é guest. Mas como Cast Member a sua função é trabalhar. Não é fazer magical moments, não é ficar de bobeira, não é ser bobo alegre. É claro que vão existir os momentos em que você vai brincar com os guest e tudo mais, mas nos 90% do seu tempo você vai lidar com situações de trabalho. Coisas sérias acontecem, uma criança perdida é muito normal e você vai ter que saber lidar com todo o emocional da família e ao mesmo tempo achar a criança.

Vamos a um exemplo.
Trabalhei no meu ICP em um local chamado The Seas with Nemo and Friends, onde existem duas attractions da Disney. Uma é o Nemo onde você embarca em uma concha e passeia por um resumo do filme do Nemo em 5 minutos. Tudo bem tranquilo, tudo bem infantil. A outra ATT era conhecida como Turtle Talk o melhor show do Epcot o segundo melhor da Disney. Um show interativo com Crush a Tartaruga do filme Procurando Nemo da Pixar.
Em um belo dia de Natal, estava eu, andado em uma esteira na área de Unload, quando um guest vem me fazer perguntas. A área de unload é uma área em que nós, Cast Members, não podíamos conversar com guests. Infelizmente não pude responder o guest e simplesmente apontei pra ele o Turtle Talk e falei pra ele que lá eles poderiam resolver o problema dele. O rapaz ficou irritado e começou a me xingar. Normal, fingi que não estava ouvindo. Depois de um tempo me xingando, ele deu a volta e ficou de frente pra mim na esteira e quase me agrediu, fiquei plenamente calmo e não fiz nada, até que o Rafa, brother, que era a outra pessoa em Unload, viu tudo e se aproximou, quando o rapaz viu, ele saiu e foi embora. O rapaz estava atrás de seu telefone, que nós tínhamos achado e infelizmente ele nunca mais verá a Disney, pois se um dia ele for buscar o celular dele no guest relations ele vai ganhar um passe de banido da Disney. Não prendi o rapaz porque acredito que as pessoas quando tem problemas agem de uma forma que não é delas, claro que podia ter prendido o cara, chutado o pau da barraca, mas tranquilo só chamei a security, fizemos depoimentos, e tudo mais, fiquei um pouco chocado, mas não foi a melhor imagem que eu podia ter guardado do meu Natal. E essa não foi apenas algumas vezes que tivemos problemas com guests.
Trabalhar pra Disney pode não ser a melhor coisa do mundo, pode ser desgastante, pode ser estressante, mas é muito gratificante quando você sabe agarrar a oportunidade e ver os lados positivos de tudo aquilo que faz. Gostava bastante da minha Work Locations, por mais que eu não quisesse trabalhar lá no inicio. Quero voltar pro ICP mas não para lá.

O ICP é um local cheio de diversão, cheio de novidades, mas prudência é a palavra que eu gostaria que você levasse junto. Vi muitas pessoas falando merda, falando coisas bem imaturas, e apenas ouvia. ICP não é ensino médio, não é internato, é um emprego. E a sua empresa é a Disney. Se você não quer trabalhar, faz uma viagem, vai gastar muito menos, vai curtir muito mais e ainda não vai ter problemas. Agora se você está disposto em conhecer novas pessoas, novos locais a aprender a se virar na vida, é uma ótima oportunidade.
Não quero falar muito de trabalho, role, ou Work Location, pois acredito que cada lugar tem seu jeito, e sua forma. Vi muitas pessoas que achavam que iam adorar sua Work Locations e foi um inferno e outras que falavam merda da WL o tempo todo e no fim vão sentir muita falta de lá, então acredito que você tem que viver a experiência antes de saber realmente se é bom ou ruim. E role é uma coisa muito relativa. O que é bom pra mim pode ser ruim pra você. Eu preferia andar em uma esteira do que mexer com comida, ou lixo. Se você prefere o contrário, não recomendo ATT. Não existe um perfil pra role de ATT mas por favor, não seja preguiçoso. Faça o que te mandam na hora e tudo ficará tranquilo! 

Valeu, fica ai minha mensagem pra você que vai tentar o ICP. Boa sorte nas entrevistas. Fica calmo, treina bastante, mas lembra que fluência no inglês é algo bem relativo. Tente mostrar que você é comunicativo, isso que é importante. E se for pedir parque, pede o EPCOT. Trabalhar no MK é nojento. No HS demora pra burro o busão e o Animal Kingdom é legal mas prefiro o EPCOT.

Hugo Pedrosa.

Time's changing...

É Thata... Você disse que tinha certeza que eu esqueceria, e que eu tava mentindo pra você sobre meu primeiro post no blog do Ciência sem Fronteiras ser pra você...



Bom, não vou inaugurar ele ainda, até porque não vai servir de NETOCSF, com info e tudo mais que nem fiz nesse blog e ainda pretendo fazer, vai ser um diário mesmo, a ideia inicial deste blog também, por sinal, quem sabe muda, mas vai começar como esse começou (sem AdSense infelizmente porque minha mãe invalidou minha conta pra sempre e sempre)..

Maaas, considere esse o primeiro post SOBRE Ciência sem Fronteiras da minha vida, e possivelmente o ÚNICO NESTE BLOG!!! E considere ele dedicado a você, Thais..


Bom, fim do ano passado, no meio do que seria meu programa do ICP, houve atualizações nos editais do programa Ciência sem Fronteiras que me fizeram adiantar os planos de prestá-lo. Com essas mudanças, eu havia ficado elegível para o programa pela primeira vez na graduação, e por nós que estamos já entrosados nos grupos do CsF estarmos percebendo que a concorrência do programa está crescendo muito rápido mas ainda está MUITO BAIXA, e por sentirmos que essa concorrência vai permanecer saudável só por alguns poucos próximos editais (depois vai virar Hunger Games tipo ENEM), eu decidi prestar agora porque tenho medo da concorrência subir muito, e meu rendimento acadêmico ser beeem mediano poderia me prejudicar.

Tá, me joguei novamente num projeto completamente novo, me entreguei por inteiro novamente. Passei o International College Program pra segunda posição no ranking de prioridades, apertando meu coração de pensar que esse adiamento de sonho que pra mim nada interferiria, traria como consequência não fazer o programa com todos os meus amigos que fiz...

Aí hoje me veio a resposta da primeira etapa, a que mais me deixava aflito. FUI HOMOLOGADO PELA UFSCar!!!
Quer dizer, são três etapas:

  • Homologação (aceite) da UFSCar, me reconhecendo com um aluno de excelência (poor UFSCar), verificando meu rendimento acadêmico e os requisitos mínimos como porcentagem de curso concluída até a data de embarque;
  • Homologação do CNPq (órgão do Governo responsável pelas bolsas para o Reino Unido pelo CsF), verificando meu inglês, minha homologação pela IES (UFSCar no meu caso), minha documentação (passaporte válido) e se meu curso está elegível pra o CsF (está incluso nas principais áreas, então no problem at all);
  • Aceite da minha universidade britânica, me oferecendo uma vaga, depois de me verificar como pessoa e como aluno, lendo minha Personal Statement que ainda tenho que fazer.
Pronto, tô confiante que a fase que mais me agoniava que era a do rendimento acadêmico passou. Sinto o Reino Unido cada vez mais próximo ao passo que sinto o ICP mais distante, e meu coração cada vez menor.

Há males que vem para o bem, eu concordo, e esse mal de estar longe de todos, e principalmente da Thais que me maltrata mas eu sei que me ama, vai trazer coisas boas que é a experiência que eu tanto sonhei na minha Graduação, a de passar um ano fora, aprimorando meu inglês de uma vez por todas, e deixando meu currículo completo!!!

Obrigado, Thata (te amo, te amo, te amo, te amo) e cada amigo meu que me deu força, apesar de no fundo não querer que eu abandonasse eles. Pois saibam que não vou abandonar (viu, Janine, Mayara, vocês todos que eu amo), vou levar comigo pra terra da Rainha, se eu conseguir ser aprovado!!